The Twilight Saga Fanfics
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Remorso Vermelho
Eu queria ser como ele. Esse meu único confidente era compassivo e dourado. Mas eu ainda estava combatendo o monstro dentro de mim. Ou talvez estava apenas lutando contra eu mesmo. Parecia não haver nenhuma diferença entre os dois, especialmente enquanto eu ainda era um selvagem recém-criado. Enquanto eu permanecia neste estado sedento de sangue, estava ficando cada vez mais difícil se agarrar às minhas recordações humanas. Quem eu uma vez fui.
Ele me encontrou assim um dia, estremecendo e encolhido tão apertado que eu nem podia ve-lo. As vozes continuavam vindo a mim, rasgando minha sanidade.
Não não, Lesley, você não deve tocar nisso…
Eu quero tê-la antes do nosso casamento. É apenas o justo, inspecionar o produto antes da compra final…Me pergunto se os seios dela são firmes assim sem suas roupas…
Tempo ruim hoje…Droga se eu sair na chuva e arruinar meu vestido novo…Papai pagou caro por este vestido…
Mamãe é tão má, ela não me deixa ter nada…tudo que quero é um milk-shake de chocolate…má, má, má…
Ele nem vai perceber se eu pegar algo dos lucros, só um pouquinho por cima…ninguém vai saber…
“Por que eles não param de falar?” Chorei sem lágrimas.
Edward, você pode me ouvir?
“Sim.”
Então focalize em minha voz e ignore o resto.
Fiz o que me disse. Levou muita concentração, mas eu fui capaz de bloquear as outras vozes. Era como se fossem dois rádios, lado a lado. As vozes e Carlisle. Eu diminuí o volume de todas aquelas vozes e aumentei a voz de Carlisle à todo volume.
Eu relaxei, enquanto deixava sair uma longa respiração. Interessante como eu tinha deixado de respirar todo aquelo tempo, e que não tinha notado que nem precisava respirar. Eu me desenrolei e apoiei as costas na parede. Carlisle se sentou próximo a mim e ambos olhávamos para frente.
Melhor agora?
“Sim, Carlisle,” eu suspirei.”Obrigado.”
Poderá levar um tempo até voce se ajustar. Eu não tenho o seu dom, não tenho certeza de quanto tempo levará.
“Dom,” eu ridicularizei debaixo de minha respiração.
Claro que é um dom. Se não fosse, eu não seria capaz de me comunicar com você desta maneira.
Ele me pegou ali. Eu realmente estava gostando da nossa silenciosa comunicação. Tinha alguma coisa bem mais profunda e mais pessoal sobre conversar com alguém em sua mente. Isso removia tantos detalhes superficiais envolvidos em uma conversa normal, e ía direto para o coração dos problemas. Estava começando a esquecer como eu conseguia manter uma conversa com alguém antes.
Diga-me Edward, o que você gosta?
“Gosto?” perguntei frazindo a testa.
Sim, todos nós gostamos de algo. Eu gosto do meu trabalho. Com certeza você deve ter tido prazeres antes.
“Eu gosto de música,” eu disse sem pensar.
Que tipo de música?
“Eu gosto de tocar piano.”
Nunca o questionei e apenas brevemente me perguntei como ele conseguiu um piano tão rápido. Ele o trouxe para casa logo no dia seguinte. Os pensamentos dos outros não eram mais tão altos, e eu podia me concentrar no embalar pacífico da música. Sorri para mim mesmo, quando me dei conta que não havia ninguém para golpear a minha mão com uma régua. E mesmo se houvesse, eu estava aprendendo a controlar.
Tantas coisas mudaram, não só meu corpo fisico. Mas também minha mente. Eu tinha muito mais escolhas do que nunca tive antes. Já não era obrigado a casar com alguma menina tola. Na verdade, eu já não tinha a obrigação de amar ninguém. Eu amava a idéia de me tornar um soldado, mas é claro que era um sonho desnecessário, considerando o que eu tinha me tornado. A idéia de me tornar um soldado de repente pareceu-me tão banal.
E então tinha Carlisle, seus próprios pensamentos o traíam. Uma noite, quando voltava tarde do hospital, eu o ouvi no quarto ao lado, se lamentando.
Tantas pessoas morrem todo o tempo, e ainda assim suas famílias sofrem o pesar e seguem em frente…
Minhas mãos diminuíram seus movimentos sob as teclas do piano, e escutei com mais atenção.
A morte é normal e natural. O que eu fiz? Uma coisa era tentar melhorar a mim mesmo, mas condenar Edward a essa vida também…
Eu estava chocado. Certo que ele tinha sido bastante severo durante os primeiros dias de minha nova existência, mas considerando meu comportamento, obviamente era uma dureza bem merecida. Eu era perigoso.
Ele estava morrendo…os pais dele já estavam mortos…Morte teria sido uma escolha melhor para ele?
“Não,” eu disse suavemente, enquanto fiquei parado na entrada do quarto. Carlisle permaneceu imóvel, com a cabeça em suas mãos.
Ele era meu amigo, meu camarada. Eu sabia seus pensamentos mais íntimos, até mesmo os que ele nunca expressou. Ainda assim lá estava ele, se perguntando se ele tinha me feito o certo, enquanto eu acreditava que tinha sido um bom confidente para ele. Pelo menos, eu pensei que tinha sido um amigo decente. Claramente precisava mostrar o quanto eu o respeitava.
“Você me perdoa?” ele sussurrou.
“Claro,” eu respondi.”Se não fosse por você, eu nunca teria tido uma chance de ser o homem que queria ser. Você me deu muito mais que outra vida, você me deu livre-arbítrio.”
“Eu sinto muito, se eu condenei sua vida,” ele disse.
Eu balancei minha cabeça e caminhei para ele.”Você não me condenou,” eu disse enquanto me agachava em sua frente.”Você me salvou. Obrigado, pai, por me salvar.”
Ele me olhou surpreso, foi a primeira vez que o chamei de pai, mas era a única palavra que faria justiça ao meu respeito por ele. Eu sorri e esperei não parecer forçado. Sentia um som de culpa em algum lugar no fundo da minha mente. Me perguntei se eu estava sendo um hipócrita. Era parcialmente uma mentira. Afinal, você precisava de uma alma para ser salvo, e eu tinha perdido a minha.
E assim, esse foi meu primeiro ano. Assisti o vermelho em meus olhos começando a enfraquecer, e eles ficarem tingidos com um ouro muito escuro. Para o fim do ano, eu ainda não estava lá, não era dourado ainda. Porém, eu tinha ganho uma quantia incrível de autocontrole. Aprendi a como bloquear pensamentos, como aumentar o volume de um rádio. Os pensamentos dos outros se tornaram um fraco barulhode fundo que eu podia ignorar facilmente.
Carlisle era gentil comigo, ele também aprendeu a nunca invadir minha mente com seus próprios pensamentos até quando ele queria falar diretamente comigo. Descobri que eu gostava muito de nossa comunicação silenciosa, e me sentia ficando cada vez mais próximo à ele. Este homem, este vampiro, meu pai.
Um pouco de cada vez, ele abria sua mente para mim, revelando como ele viveu durante os séculos. Eu aprendi tudo que devia saber sobre vampiros. Aprendi tudo das experiências dele, suas viagens, inclusive os Volturi. Espantou-me descobrir que estávamos praticamente sozinhos, embora haviam poucos vampiros no mundo. No entanto, me surpreendi ainda mais por perceber quão únicos éramos no nosso estilo de vida. Bebíamos sangue de animais e nunca sangue humano.
Eu soube quando aquele primeiro ano tinha terminado quando me vi no espelho, uma cor marrom dourada começou a vazar em meus olhos. Quase lá. Logo, eu iria aprender como viver neste mundo cheio de humanos e tentação.
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